Passei o dia entre repouso, compressas geladas no rosto e aquela sensação estranha de precisar desacelerar à força.
Quem está acostumada a resolver tudo dentro de casa sente quase culpa quando precisa parar.
Mas hoje o corpo exigiu silêncio.
Em algum momento da tarde, fui procurar uma toalhinha para enrolar o gelo da compressa. E escolhi de propósito uma antiga, guardada havia anos no armário.
Era a toalhinha de boca do Joseph, da época em que ele ainda era bebê.
Pequena. Delicada. Com marcas do tempo e da memória.
Fiquei olhando para ela nas minhas mãos e pensando em quantas vidas um objeto pode atravessar dentro de uma casa.
Anos atrás, aquela toalhinha servia para limpar o leite que escorria da boca do meu filho.
Ela esteve nos meus ombros durante madrugadas cansadas. Ficou ao lado de mamadeiras, cólicas, sono acumulado e daqueles primeiros anos em que a maternidade ocupa cada pedaço da vida da gente.
Mas dessa vez, encostada no meu rosto, tentando aliviar a minha dor.
E achei bonito perceber isso.
Porque talvez a maternidade também seja feita dessas permanências silenciosas.
Os filhos crescem.
As fases passam tão depressa que às vezes nem conseguimos entender direito para onde foi aquele bebê que cabia no colo.
Mas alguns pedaços deles continuam espalhados pela casa.
Em gavetas.
Em caixas guardadas no alto do armário.
Em roupas pequenas que nunca tivemos coragem de doar.
Em desenhos antigos.
Em bilhetes esquecidos.
Em objetos simples que continuam carregando afeto mesmo depois de tantos anos.
Talvez seja por isso que mães guardem tantas coisas.
Não é apenas apego.
É memória viva.
É uma tentativa silenciosa de preservar pedaços do tempo.
Enquanto eu fazia repouso no sofá, com os gatos dormindo tranquilos ao meu lado, fiquei pensando em como a vida dá voltas delicadas.
Um dia, eu usava aquela toalhinha para cuidar dele.
Hoje, de algum jeito, ela parecia cuidar de mim.
E talvez o amor também seja isso:
coisas pequenas atravessando o tempo sem perder o significado.
Os objetos também guardam histórias
Toda mãe conhece essa sensação.
Você encontra uma meia minúscula no fundo de uma gaveta e, de repente, volta no tempo.
Um cheiro.
Um tecido.
Uma manta antiga.
Uma toalhinha de boca.
Objetos comuns carregam memórias inteiras.
Eles testemunham fases da vida que passaram rápido demais.
E às vezes permanecem ali, quietos, esperando para nos lembrar de quem fomos.
Sobre desacelerar
Hoje também pensei em como é difícil para muitas mulheres simplesmente parar.
Mesmo sentindo dor, a mente continua lembrando das tarefas da casa, das responsabilidades, das coisas que ainda precisam ser feitas.
Mas existem dias em que o corpo pede pausa.
E talvez repousar também seja uma forma de cuidado.
Talvez a gente precise aprender isso com mais gentileza.
Hoje, entre compressas geladas e lembranças antigas, uma toalhinha pequena me fez pensar no tempo, na maternidade e no amor que permanece escondido nas coisas simples.
E achei que essa história merecia ser guardada aqui.

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